Mudamos para viver! Mudamos para amar!

Mudamos para cantar! Mudamos para encantar!

 

            Denomina-se "muda", o processo de troca das penas nas aves que ocorre anualmente, devido ao seu desgaste natural. Nesse período as necessidades nutricionais mudam e o beija-flor requer doses adicionais de proteínas, que são supridas pelo consumo maior de insetos.

 

 

A troca de plumagem

 

Esse exemplar jovem de Chlorostilbon lucidus (macho) está adquirindo uma nova plumagem devido a estar entrando na sua fase de maturidade. Essa é a primeira troca de plumagem que ocorre nos beija-flores.

Na asa em primeiro plano, nota-se que a pena de posição 4 está duplicada, o que indica uma substituição em curso. O processo ocorre paralelamente para que não haja uma perda significativa na aerodinâmica do voo. O beija-flor é um exemplar de Heliomaster squamosus (fêmea) nas flores de Clerodendrum ugandense (Lamiaceae).

Amazilia versicolor e as flores da Dyckia pseudococcinea (Bromeliaceae). Notam-se nas asas as lacunas deixadas pelas penas em fase de substituição. Isso ocorre de forma igual nas duas asas, de modo que o desempenho de voo não fique muito prejudicado. Caso as "falhas" ficassem apenas em uma das asas a ave ficaria desequilibrada.

À esquerda, o macho de Thalurania glaucopis está desenvolvendo sua plumagem iridescente. Acima, na asa direita da fêmea podemos notar algumas penas se desenvolvendo em paralelo com as antigas e a formação de um bulbo na parte superior.

Phaethornis pretrei praticamente sem cauda, devido a muda. Nessa fase, esse beija-flor fica com certo comprometimento de estabilidade no voo. As flores são de Canna indica (Cannaceae).

Passados alguns dias, a cauda começa a se desenvolver e com isso ocorre uma progressiva melhora no desempenho do voo. As flores são da Asystasia gangetica (Acanthaceae).

Passam-se mais alguns dias e o desenvolvimento da cauda prossegue. Flores da Cyrtopodium eugenii (Orchidaceae).

Com o desenvolvimento da cauda praticamente completo, este beija-flor já voa perfeitamente. Nota-se que as duas penas mais longas da cauda ainda não estão iguais em comprimento, mas isso se completará em poucos dias. As flores são da Oncidium sp. (Orchidaceae).

A desengonçada aparência atual desse jovem macho de Lophornis magnificus está muito aquém da beleza que ele ostentará em mais algumas semanas. Muitas das plumas que adornam o topete e as laterais do pescoço ainda estão em seus bulbos de desenvolvimento. As flores são da Salvia guaranitica (Lamiaceae), encontrada em estado nativo em muitas regiões da América do Sul.

Este jovem macho de Chlorostilbon lucidus, já está com cerca de 50% da sua aparência final definida. Ele ficará inteiramente com tons verdes e dourados e perderá a cor cinza do ventre, que nesta espécie é quase inteiramente a cor da fêmea.

Também é chegada a vez desta fêmea de Calliphlox amethystina mudar sua plumagem. Por todo o corpo vemos esses sinais, especialmente nas asas, onde comparadas a da esquerda com a da direita, vemos uma simetria no comprimento das plumas. Se não fosse assim, a ave ficaria desequilibrada em voo. 

As flores são de Aechmea gamosepala (Bromeliaceae).

Hylocharis chrysura à esquerda, está praticamente sem cauda, devido à muda. Podemos ver que ela já começa a se desenvolver. Nesta fase, o voo fica prejudicado por certa falta de estabilidade e produz certo ruído como o de uma pequena "turbina". O exemplar acima está com a plumagem plenamente desenvolvida.

Hylocharis chrysura (à direita) e as flores da Calliandra surinamensis (Fabaceae). Das dez retrizes (penas da cauda), restam apenas duas e estas também vão cair. Enquanto isso as novas já estão se formando rapidamente. Nas asas podemos observar algumas plumas antigas  junto ao corpo que logo cederão lugar às mais recentes.

Phaethornis pretrei à esquerda com a pele da garganta à mostra, parece ter sido atacado por um predador. Felizmente não foi isso que ocorreu e é apenas uma fase da sua muda anual. 

As flores são da Dyckia pseudococcinea (Bromeliaceae).

Amazilia versicolor (à direita)  encontra-se numa fase da muda em que seu voo fica bastante prejudicado. O ar escapa por entre as falhas da plumagem das asas dificultando a sustentação no ar e o equilíbrio da ave. A ave necessita bater as asas um pouco mais rápido e seu gasto de energia é bem maior. É frequente nessas condições que  o voo produza um zumbido, como de uma pequena "turbina". Felizmente os beija-flores, como mestres do voo que são, sabem adaptar-se com estas dificuldades passageiras.

As flores são da Jatropa curcas (Euphorbiaceae), planta típica da Caatinga .