Os "sem brilho"

Em plena mata fechada, Glaucis Dohrnii alimenta-se nas flores da Bilbergia nutans (Bromeliaceae). Esta é  a espécie de beija-flor mais ameaçada do Brasil. Vive apenas na área remanescente da Mata Atlântica que  fica ao norte  do Espírito Santo e sul  da Bahia, que está sob a constante pressão do desmatamento.

 Todos os beija-flores pertencem à família TROQUILIDAE.

Já a próxima etapa da classificação os divide em

duas subfamílias - TROQUILINAE e PHAETHORNITHINAE

 

A primeira abrange a maioria dos gêneros e espécies conhecidos

e que são geralmente muito coloridos e "cintilantes".

Sim, é uma explicação muito superficial,

mas vamos começar por aí.

 

A  subfamília - Phaethornithinae , que destacamos nesta página

 engloba menos  gêneros e espécies. Além de outras características

morfológicas que os definem, os beija-flores deste grupo são

pouco coloridos e iridescentes. Talvez por terem evoluído em

ambientes de matas mais fechadas, que abrigam

muitas das suas flores preferidas,

não necessitem tanto de cores.

 

 

 

Outra espécie, Glaucis hirsutus também prefere as sombras das matas. Embora tenha uma bela cauda colorida e poucos reflexos dourados, o conjunto todo é discreto quando comparado à maioria dos

beija-flores que conhecemos.

Na imagem acima, estão também as flores da 

Heliconia rostrata (Heliconiaceae) uma das suas prediletas, cujas brácteas de formato curvo parecem ter sido desenhadas

para se adaptar ao seu bico.

Ao lado esquerdo, as flores são da Cuspidaria convoluta (Bignoniaceae), planta trepadeira também

conhecida por Cipó-rosa.

Acima, Phaethornis eurynome visita flores da Canistropsis billbergioides (Bromeliaceae) e ao lado direito o faz nas flores de Centropogon cornutus (Campanulaceae), ambas nativas de Mata Atlântica. Este beija-flor raramente se aventura em campo aberto,  porém gosta de ficar

pousado na borda das matas.

 

Phaethornis idaliae é um beija-flor muito pequeno e tem seu habitat mais conhecido nas Matas de Restinga do litoral dos Estados do Rio de Janeiro

até a Bahia. Diferente da maioria dos outros beija-flores deste

gênero nos quais machos e fêmeas são semelhantes, nessa espécie eles podem ser diferenciados. Acima, o macho é

visivelmente mais escuro do que

a fêmea, à esquerda.  

 

 

No alto as flores da Stachytarpheta dichotoma (Verbenaceae). 

À esquerda as flores da Dyckia dusenii (Bromeliaceae)

 

Phaethornis pretrei costuma estender seus dominios para além das matas.

É comum ve-lo em áreas abertas como Cerrados e até nas cidades.

Costuma entrar pelas janelas das residencias onde

parece inspecionar o ambiente.

Faz ninhos em varandas  sem cerimônias e até dentro das casas.

Tem o apelido de "Limpa-casa", porque colhe teias de 

aranha nos cantos para a confecção dos ninhos.

Também procura insetos nas

vidraças e lâmpadas. 

 

Acima as flores são da Hohenbergia catingae (Bromeliaceae).

Phaethornis ruber é outro diminuto beija-flor. Aventura-se fora das matas e gosta de frequentar jardins nas proximidades. Costuma voar sempre muito baixo, a mais ou menos um metro de altura. É preciso estar muito atento

para visualizar esta pequena ave entre a vegetação. 

 

Na imagem, a discreta flor de Bionia ovalifolia (Fabaceae) .

Phaethornis squalidus também prefere as matas e bordas delas. É pequeno, mas não tanto quanto seus primos P. idaliae ou P. ruber

 

À direita, ele se aproxima da flor da Heliconia farinosa (Heliconiaceae), nativa da Mata Atlântica.

Ramphodon naevius vive em áreas litorâneas de Mata Atlântida desde o Espírito Santo até Santa Catarina. É um beija-flor muito forte e agressivo. Os sexos são semelhantes na plumagem, mas o macho (acima) possui a ponta do bico curvada para baixo, em forma de gancho. À esquerda, uma fêmea.

 

 

Acima as flores são da Tecoma alata (Bignoniaceae), uma planta exótica.

À esquerda as flores são de uma espécie de maracujá silvestre - Passiflora miniata (Passifloraceae).

Se não há brilho, ainda sobra graça para ofuscar!