Calliphlox amethystina - macho

Evolução dos beija-flores

     Um estudo recente (2014) com beija-flores, resultou em uma árvore genealógica, que foi publicada na revista Current Biology. Este trabalho conta a história desse grupo de aves que se originou na Europa, passou pela Ásia e América do Norte, e finalmente, encontrou o seu Jardim do Éden na América do Sul, há 22 milhões de anos atrás.

     Estes primeiros beija-flores espalharam-se rapidamente por todo o continente Sul-americano. Na região do início da cordilheira dos Andes (atualmente Venezuela, Colômbia e Peru) evoluíram em vários grupos, saltaram lacunas de água para invadir a América do Norte e o Caribe, continuando a gerar novas espécies até hoje.

     Por mais de 12 anos, o professor Jimmy McGuire e seus colegas da Universidade de Berkeley – EUA coletaram dados de DNA de 451 aves que representam 284 espécies de beija-flores e seus parentes mais próximos, em última análise, o sequenciamento de seis genes nucleares e mitocondriais. Eles usaram os dados para organizar os grupos em uma árvore genealógica, e concluíram que o ramo que leva aos beija-flores modernos surgiu cerca de 42 milhões de anos atrás. Eram os primeiros ancestrais dos beija-flores e que haviam se separado de seu grupo irmão, os andorinhões. Isso provavelmente aconteceu na Europa ou na Ásia, onde os fósseis assemelhados a beija-flores foram encontrados e datados de 28-34 milhões de anos atrás.

     De alguma forma essas aves encontraram o caminho para a América do Sul, provavelmente através da Ásia e uma ponte de terra do outro lado do Estreito de Bering até o Alasca. Eles deixaram grupos representantes em suas terras ancestrais, mas uma vez que atingiram a América do Sul cerca de 22 milhões de anos atrás, eles rapidamente se expandiram para novos nichos ecológicos e evoluíram para novas espécies.

Imagine a História Natural como um longo texto inacabado e DNA  o alfabeto com que é escrita.

Anthracotorax nigricolis - macho

     Por volta de 12 milhões de anos atrás, o ancestral comum dos grupos de beija-flores que deram origem a  gêneros atuais como Calliphlox, Lampornis e Mellisuga, deram o salto para a América do Norte, que na época ainda estava separada da América do Sul por algumas centenas de milhas de água. Esses beija-flores "prepararam o terreno", iniciando uma coevolução com plantas norte-americanas, disse McGuire, e mais tarde foram seguidas várias vezes por outras linhagens de beija-flores, incluindo representantes dos atuais gêneros Anthracotorax e Chlorostilbon.

    A cerca de 5 milhões de anos atrás, grupos de beija-flores invadiram o Caribe, e assim o fizeram mais cinco vezes desde então. Um desses grupos, os beija-flores que deram origem ao gênero Calliphlox e que se originaram na América do Norte, participaram desta “invasão”, e até mesmo recolonizaram a América do Sul ao lado de linhagens lá existentes. Em seguida a cerca de 4 milhões de anos atrás, quando o istmo do Panamá foi formado conectando as Américas do Norte e do Sul, muitas outras espécies seguiram esses caminhos.

     A análise genética mostra que a diversidade de beija-flores continua a subir hoje, com a taxa de surgimento de novas espécies excedendo as taxas de extinção. Apesar do fato de que eles se alimentam principalmente de néctar e insetos minúsculos, alguns nichos geográficos podem conter mais de 25 espécies.

     Atualmente existem 338 espécies de beija-flores reconhecidas, mas esse número pode dobrar nos próximos vários milhões de anos, de acordo com os autores do estudo.

 

     Resumo traduzido e adaptado do texto original