A alimentação

 

Phaethornis pretrei na flor da Canna limbata (Cannaceae). Na maioria das vezes é assim que imaginamos que um beija-flor se alimenta.

     Um beija-flor alimenta-se de néctar das flores (carboidratos) e de insetos (proteínas). O néctar representa em média 95% da sua dieta e os insetos representam os 5% restantes. Os filhotes no ninho podem receber até 18% de insetos, que são geralmente pequenas moscas e aracnídeos, uma vez que seu desenvolvimento requer um consumo maior de proteínas. As moscas geralmente são capturadas em voo, numa exímia demonstração de habilidade. Outros tipos de insetos são capturados nas flores, folhas, galhos, vidros das janelas e até em teias de aranha. Muitos insetos minúsculos são capturados no interior das flores e ingeridos com o néctar.

Amazilia versicolor capturando insetos. No início da primavera, logo após as primeiras chuvas seguidas de calor, essas pequenas moscas brancas fazem revoadas em movimentos circulares, mantendo-se agrupados em um enxame com diâmetro de 30 a 50 cm. É uma festa para os beija-flores.

   Beija-flores também são oportunistas em se tratando de caçar insetos. Eles os procuram em teias de aranhas e os “roubam” delas. As minúsculas aranhas recém-nascidas também são apanhadas. Vidraças das habitações constituem um excelente campo de caça, pois devido a iluminação noturna, atraem pequenos insetos que pela manhã, ainda estarão nelas e os beija-flores aí os capturam. Observei esse comportamento nos gêneros Phaethornis, Glaucis e Ramphodon.

Glaucis hirsutus inspecionando uma teia de aranha à procura de insetos capturados para "rouba-los". Se houver filhotes de aranha, também serão comidos.

 Num dia de farta alimentação, podem ingerir até oito vezes o seu peso corporal em alimento.

     O metabolismo elevado deve-se em grande parte à forma peculiar de voo, que tanto nos deixa fascinados. Voar em qualquer direção, inclusive invertidos (de ponta cabeça), batendo as asas até 80 vezes por segundo, apenas os beija-flores fazem. A necessidade de defesa do seu território contra outros beija-flores, pelas fontes de alimento também é um dos principais fatores responsáveis pelo grande gasto diário de energia.

  Observar um beija-flor capturando insetos em voo é um espetáculo à parte. A precisão com que ele faz isso lembra os movimentos de um esgrimista. Em dias quentes e úmidos, se estivermos em uma posição adequada em relação ao sol, podemos observar pequenas moscas pairando no ar. O beija-flor paira rapidamente junto ao inseto e usa o bico como uma pinça, capturando-o com precisão. Existe uma hipótese de que o inseto alvo fica preso em um vórtice de ar, criado pelo movimento das asas da ave, sendo assim mais facilmente capturado (Fogden & Fogden, 2006). Algumas vezes a ave engole o inseto imediatamente e captura o próximo, repetindo o ciclo várias vezes, sempre em voo. Em outras vezes, ele procura um galho para pousar e engolir o inseto capturado. Em seguida, voa para outra captura e repete o ciclo mais vezes. 

 

     Mantenha em um local estratégico um comedouro para aves, sempre com algumas frutas, especialmente bananas, abacates ou mamões. Além de atrair sabiás, sanhaços e saíras, atrairá também pequenas moscas das frutas que complementam a dieta dos beija-flores. Umas poucas frutas expostas por poucos dias num canto do jardim, não causam odores a ponto de transtornar o ambiente.

 Os insetos que ali se reúnem não serão do mesmo tipo que se encontra em carcaças de animais em decomposição. Você perceberá a diferença e será recompensado por isso. Assim, você terá também outras aves e os beija-flores não precisam ir a outros lugares para caçar insetos, ficando por perto. Não é esse um dos objetivos? 

Ora é amarela e depois azul.

À próxima será violeta ou talvez lilás,

Por vezes é toda vermelha, ou rosa ou... nem sei mais.