PODE UM BEIJA-FLOR COCHILAR

E CAIR DO GALHO?

 

Aparentemente foi isto o que quase aconteceu com este jovem exemplar de Amazilia lactea. Estas duas primeiras imagens são algumas das minhas mais antigas fotos de beija-flores. Os registros são em filme negativo de 1988 mas lembro-me bem do fato. Eu estava fotografando entre as plantas do meu jardim e vi esta cena. Pensei que se tratava de uma ave morta e enroscada no galho.

Ao me aproximar mais para outras fotos, este beija-flor abriu os olhos e voou rapidamente. O que havia acontecido? Não sei dizer. Como ele era bastante jovem, gosto de pensar que era um dorminhoco que estava prestes a cair, pois uma das suas patinhas já se havia desprendido do galho.

Mas é provável que esta ave estivesse enfraquecida por

ter passado tempo demais sem ingerir néctar. Nessas situações um pouco de água açucara ajudaria ajuda a ave

a se recuperar mais depressa.

Aphantochroa cirrochloris cochilando entre as flores de Heliconia psitacorum (Heliconiaceae), uma das muitas variedades da planta conhecida como Banana-de-jardim. O bico da ave mostra uma anomalia na ponta, fazendo com que  mandíbula e  maxila não se encaixem perfeitamente, mas que não parece ser grave a ponto de comprometer a funcionalidade. Este beija-flor se alimentava normalmente nas flores e defendia ferozmente seu território quando estava acordado.

Acompanhamos parte da vida de um exemplar da espécie Phaethornis pretrei que tinha o bico defeituoso. Provavelmente ocorreu uma fratura deixando-o com a ponta da maxila aberta em ângulo, voltada para cima. Quando o avistamos pela primeira vez, o bico já estava cicatrizado. Apesar dessa fratura, ele frequentou nosso jardim por mais 2 ou talvez 3 anos. Ele tinha muito mais dificuldade para introduzir seu bico torto nos bebedouros e nas flores. Afora isso, parecia um exemplar normal quanto ao vigor físico. Voava bem e o bico não o impedia de cortejar uma fêmea, o que presenciei várias vezes. Com tempo, deixei de avistá-lo e conclui que finalmente morreu.

 

 

     

 

Sim, mas afinal quem disse que somos perfeitos?