A. Ruschi (1982) classificou as espécies de beija-flores em três tipos quanto aos hábitos migratórios.

 

- Sedentárias: Que não migram.

- Pequenas migratórias: Constituem a grande maioria das espécies,  podendo chegar até os duzentos quilômetros do seu território.

- Grandes migratórias: Podem ultrapassar distâncias de dois mil quilômetros do seu território.

 

Nas minhas observações, noto apenas que exemplares jovens ou imaturos de espécies migratórias

relutam em migrar.

      Se você gosta de observar beija-flores e tem uma área para se dedicar a isso, anote em um calendário quando uma determinada espécie aparece e quando deixou de avistá-la. Anote também a quantidade de indivíduos que avistou em um mesmo dia. Dependendo das suas anotações registradas ao longo do tempo, saberá se está ou não em uma área situada numa rota de migração.

 

Movimentos migratórios

 

Mesmo com o jardim todo florido e estar sendo fornecida água açucarada diariamente, nota-se que em determinadas épocas a quantidade de beija-flores diminui e isso é normal. Os movimentos migratórios fazem com que em 2 ou 3 dias o número de aves diminua drasticamente. Não se preocupe, pois voltarão em algumas semanas ou meses, se você mantiver as condições de alimentação. Apenas diminua a quantidade de líquido açucarado que você disponibiliza, para não haver desperdício. 

Se a quantidade de aves diminui em todas as espécies, pode estar ocorrendo outra variável. Confira a proporção do açúcar na mistura (lembre-se que deve ser 20%). Observe a presença de possíveis predadores. Gatos são exímios caçadores e mesmo que não consigam pegar as aves, eles as espantam definitivamente. Quando acontece o contrário e o consumo nos bebedouros aumenta bruscamente, é muito provável que alguns migrantes chegaram e estão sedentos. Confira quem são seus novos visitantes e divirta-se com a sua presença.

 

 

 

 

 

Florisuga fusca e flores de Prunus serrulata (Rosaceae), conhecida popularmente por Cerejeira-japonesa. Este beija-flor chega a voo de migração todos os anos, por volta de setembro. Costumam ficar até novembro ou dezembro.

Amazilia lactea (foto) entra na classificação de "pequena migratória" segundo A.Ruschi. Parece mesmo que se comportam assim, pois em meu jardim, a população deles varia ao longo do ano. De agosto até novembro são sempre mais numerosos. As flores são de Paragonia pyramidata (Bignoniaceae).

Anthracotorax nigricolis (macho e fêmea). Esta bela espécie faz migrações muito longas. Podem ser encontrados em todo o território nacional e mais além, até alguns países da América Central. Aparecem regularmente todos os anos no jardim, sempre em grupos de no máximo 10 ou 12 indivíduos. Chegam sempre muito famintos e os bebedouros cheios fazem as honras da casa. Permanecem conosco até 4 meses, engordam bastante e partem novamente. Parece que viajam em grupos, pois noto que quando um grupo parte, pode aparecer outro às vezes depois de 3 ou 4 semanas. Na imagem acima, o macho liba o néctar da flor da Erythrina speciosa (Fabaceae) e à direita, a fêmea está pousada num ramo de Cuspidaria convoluta (Bignoniaceae).

 

 

Calliphlox amethystina é um dos menores beija-flores do Brasil. Também migra por longas distâncias, mas não aparece regularmente em nosso jardim e às vezes fico 2 ou 3 anos sem avistá-los. Quando aparecem, não são mais do que 3 ou 4 indivíduos. São bastante comuns em regiões de Cerrados. À esquerda, uma fêmea nas flores da Periandra mediterranea (Fabaceae), planta típica de Cerrados. Acima, o macho se aproxima das flores da Cordilyne fruticosa (Asparagaceae), planta nativa da Mata Atlântica.

 

 

Acima, Amazilia versicolor kubtchecki, presente em nosso jardim em todos os meses do ano. Por este motivo eu considero que sejam sedentários (não migram). À direita, Amazilia versicolor versicolor distingue-se da subespécie anterior pela mancha branca na garganta. Estes aparecem regularmente no jardim nos meses frios e permanecem até a primavera. Na imagem acima, flores da trepadeira Centrosema brasilianum (Fabaceae) planta nativa em quase todos os estados brasileiros.

 

 

Hylocharis chrysura, este belo beija-flor de reflexos dourados é comum por aqui. Porém eles "desaparecem" por algumas semanas e depois retornam. Fazem isso mais de uma vez durante o mesmo ano. Eu deduzo que estejam migrando por pequenas distâncias, mas não faço ideia para onde. Para determinar isso, seria necessário fazer estudos envolvendo captura e anilhamento. Na imagem acima, a ave se aproxima da flor da Thunbergia mysorensis (Acanthaceae), trepadeira exótica, nativa de regiões tropicais da África e Ásia.

 

 

Leucochloris albicollis e a flor da Russelia equisetiformis (Plantaginaceae).

 

 

Essa é uma espécie de beija-flor de comportamento migratório muito regular. Todos os anos eles aparecem no nosso jardim e sempre nos meses mais frios. Quando ouvimos os noticiários anunciando as primeiras frentes frias do começo do inverno nos estados mais ao sul, essa espécie chega e fica conosco até o início dos meses mais quentes, em meados de setembro. 

Relativamente perto da minha cidade (Rolândia-PR), a aproximadamente 150-200 km, existe uma região serrana (Serra do Cadeado), onde esta espécie é constante o ano inteiro. Provavelmente estes migrantes fazem trajetos entre esses dois pontos.  

 

 

Os anos de 2014 e 2015 têm apresentado clima bem mais seco do que em anos anteriores. Heliomaster squamosus costumava aparecer em voos de migração por volta do mês de julho, mas nestes dois últimos anos não os vi. Não foram somente estes, pois a quantidade geral de indivíduos das outras espécies também diminuiu muito. Em outras regiões, amigos meus que também os alimentam, relataram o mesmo. São evidências que fatores climáticos têm influência no comportamento migratório. 

Helimaster squamosus (macho) e as flores de Stifftia grazzielae (Asteraceae).

Colibri serrirostris é um belo e forte beija-flor, conhecido por migrar por longas distâncias. Sua presença era regular em nosso jardim, entre os anos de 1983 quando comecei a observa-los até aproximadamente 2005. Depois disso apareciam esporadicamente e nos últimos 5 anos deixei de receber suas visitas. São abundantes em outras regiões e ao que me parece, meu jardim não mais está em suas rotas de migração.

 

 

Colibri serrirostris e as flores de Delonix regia (Fabaceae), árvore ornamental exótica, também conhecida por Flamboyant.

Phaethornis pretrei também é classificado por A. Ruschi como sendo de pequena migratória. Acredito que seja assim, com aqueles indivíduos que vivem  em ambiente mais selvagem. Caso os recursos florais de uma região fiquem escassos é preciso mudar para outro lugar. Aqueles que vivem em ambiente urbano parecem não migrar. Observo que aqueles que frequentam meu jardim estão presentes em todos os meses do ano.

Eu controlo as floradas do jardim fazendo podas seletivas e com isso tenho flores o ano todo. Pelo fato de vê-los frequentemente, posso dizer que reconheço vários beija-flores por algumas características individuais.

Esta espécie não se alimenta muito nos bebedouros e prefere as flores do jardim. Costuma "abrir exceções"  nos finais de tarde e dias chuvosos e então, faz visita aos bebedouros com maior frequência.

As flores são de Sanchezia nobilis (Acanthaceae).

Eupetomena macroura por outro lado gosta muito dos bebedouros e chega a ser "inconveniente" para as outras espécies, dado ao seu comportamento agressivo. Ele migra, porém sempre ficam para trás alguns indivíduos mais jovens. Ele é muito bem adaptado ao ambiente urbano.

 

As flores são de Pyrostegia venusta (Bignoniaceae).

O mundo gira abaixo das minhas asas!

Sigo a brisa morna das manhãs,

as cores das estações e os risos das cascatas!